Era um final de tarde de novembro de 2012. Giovanna Gold estava na cozinha de casa, no Rio, fritando um ovo. Na época, a atriz, que fez sucesso na TV em papéis como a Alzira, da novela “Mulheres de areia” (1993), trabalhava como professora de ioga. O telefone tocou: era a diretora de elenco Marcia Ítalo, que a lançara na novela “Pantanal”, da extinta Manchete, em 1990, perguntando se ela queria fazer um teste em São Paulo para “Chiquititas”.
— Pareceu arquitetado: faria uma audição de balé no sindicato dos profissionais da dança num sábado, buscando novos caminhos. A aula com (a bailarina) Cecília Kerche era dificílima e as candidatas tinham 18, 19 anos. A mais velha tinha 30. E tinha eu (risos) — diz Giovanna, de 50 anos. — Na segunda, fiz teste para a personagem Eduarda (que acabou indo para Virginia Novick) e fiquei com a Carmen.
A vilã que azucrina as meninas do Orfanato Raio de Luz na novelinha do SBT, prevista para terminar em julho, quando completará dois anos no ar, é a primeira da carreira da atriz.
— Carmen é minha primeira personagem autocentrada, estelionatária, narcisista, que só pensa em dinheiro. Agora, ela, Marian (Júlia Gomes) e Cíntia (Milena Ferrari) buscam juntas um tesouro que julgam estar escondido no orfanato. — comenta Giovanna sobre a trama da dondoca, cujo desfecho ela já gravou, mas não revela: — Não posso contar.
A última personagem da atriz em novelas antes de Carmen tinha sido a simpática Kátia de “Por amor” (1997). O afastamento dos folhetins, ela diz, não foi voluntário:
— As novelas afastaram-se de mim. Mas fiz o “Show do Tom” (de Tom Cavalcante, na Record) de 2006 a 2012. Durante meu contrato, fiz a formação em ioga. O programa acabou e eu comecei a dar aulas.
Giovanna conta que, ainda que sem papéis de destaque na TV durante o período, ela continuou sendo abordada nas ruas por fãs de Alzira, a “Magrela” de “Mulheres de areia”:
— Os fãs da Globo sempre imitam o Tonho da Lua (vivido por Marcos Frota na obra de Ivani Ribeiro). Morei um tempo na Argentina, e a moça que trabalhava lá em casa, peruana, já me conhecia, porque a novela estava sendo exibida lá na época.
Outro personagem inesquecível para Giovanna é Zefa, par romântico de Tadeu (Marcos Palmeira) em “Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa:
— Foi a que me projetou. E marcou também a vida na fazenda com meus colegas, com direito a passeio de barco, de cavalo, peru fazendo glu-glu, sopa de piranha (risos).
Nascida Salvador, a atriz mudou-se ainda bebê com a família para o Rio, onde cresceu “patricinha Zona Sul”, como diz. Mas não fez questão de constituir a própria família: não chegou a casar-se, ou ter filhos.
— Família não é minha prioridade. Prefiro arte — diz a atriz, que mudou-se para São Paulo por conta de “Chiquititas”.
Após o fim da novelinha, Giovanna planeja exibir um documentário que gravou nos bastidores das gravações:
— Chama-se “Tchau tchau, Chiquititas”. Também quero passar uns dias numa praia, repondo o oxigênio de 2 anos de São Paulo. Sei que virá o projeto certo. Na hora certa, meu telefone irá tocar.
